Bristol. 5 PM.
- CALEB! - Ouviu-se o berro estridente de minha mãe. - Maggie está sem frutas para ir à escola, vá ao mercado e compre as maças e aproveite e veja algo para ela levar na lancheira - Não ouve palavras, apenas assenti e olhei para a irmãzinha sentada em sua cadeira comendo cereal.
- Tau, au, Leb - Ela abriu um de seus mais lindos sorrisos e acenou para mim de mãozinhas melecadas. A única capaz de fazer com que eu me sentisse novamente inocente.
Bati a porta da frente e segui para o mercado. Ficava apenas há meio quarterão da minha casa e era a centésima vez que minha mãe me mandava para lá "cinco minutos" antes de escurecer. Empurrei a porta que dizia "Aberto" e dei dois passos para dentro da loja. Estava bastante cheia, haviam várias cabeças brancas escolhendo os melhores repolhos para o almoço do dia seguinte na seção de legumes e verduras. Olhei em volta, procurando desesperadamente as maçãs que pareciam não estar em lugar algum. Girei em meus calcanhares, minha visão se amplificou.
Aquela menina. De cabelos pretos e curtos. Eu havia a visto sozinha com outra garota. A loira. Hm... Qual eram seus nomes? A dúvida cutucou minhas costas durante vários minutos, enquanto eu andava para lá e para cá em busca das maças. Apenas consegui identificar o suco com figurinhas do Elmo e um bolinho do scooby-doo para Maggie quando decidi perguntar onde estavam as malditas maças. A touca azul que eu usava em contraste com os cabelos ruivos caiu em meus olhos enquanto eu pensava o que dizer, franzindo a testa. Ajeitei-a e segui para onde a menina estava.
- Hey. Hm... É. Pode... Será que você pode me dizer onde ficam as maças? - Assim que perguntei, observei uma grande placa exatamente a nossa frente com os dizeres "Maça: 1,59 kg" e vários caixotes com as maravilhosas frutinhas vermelhas. Meu rosto refletiu a cor.
- Tau, au, Leb - Ela abriu um de seus mais lindos sorrisos e acenou para mim de mãozinhas melecadas. A única capaz de fazer com que eu me sentisse novamente inocente.
Bati a porta da frente e segui para o mercado. Ficava apenas há meio quarterão da minha casa e era a centésima vez que minha mãe me mandava para lá "cinco minutos" antes de escurecer. Empurrei a porta que dizia "Aberto" e dei dois passos para dentro da loja. Estava bastante cheia, haviam várias cabeças brancas escolhendo os melhores repolhos para o almoço do dia seguinte na seção de legumes e verduras. Olhei em volta, procurando desesperadamente as maçãs que pareciam não estar em lugar algum. Girei em meus calcanhares, minha visão se amplificou.
Aquela menina. De cabelos pretos e curtos. Eu havia a visto sozinha com outra garota. A loira. Hm... Qual eram seus nomes? A dúvida cutucou minhas costas durante vários minutos, enquanto eu andava para lá e para cá em busca das maças. Apenas consegui identificar o suco com figurinhas do Elmo e um bolinho do scooby-doo para Maggie quando decidi perguntar onde estavam as malditas maças. A touca azul que eu usava em contraste com os cabelos ruivos caiu em meus olhos enquanto eu pensava o que dizer, franzindo a testa. Ajeitei-a e segui para onde a menina estava.
- Hey. Hm... É. Pode... Será que você pode me dizer onde ficam as maças? - Assim que perguntei, observei uma grande placa exatamente a nossa frente com os dizeres "Maça: 1,59 kg" e vários caixotes com as maravilhosas frutinhas vermelhas. Meu rosto refletiu a cor.
Meu querido tio, de fato, não se preocupava com mais nada além de seu umbigo. Motivo? Desde segunda feira ele me colocava para fechar as portas daquele mercado depois do expediente, de certo por estar começando a esfriar ele achava que o rendimento iria cair, as pessoas iriam comprar menos, ficar mais em casa, logo, maior expediente, lucro estável, ou talvez ele só fosse ganancioso demais. O corte nos funcionários e a minha nova função em seu 'grande' micro empreendimento, fez com que minha qualidade de vida ali fosse pior. Até que era bacana ficar no caixa, só tinha de lidar com dinheiro e de quebra algumas vezes conhecer pessoas, agora praticamente não falava com ninguém além daqueles que nos forneciam produtos e alimentos, tal como alface, tomate, batatas e o garoto que sempre trazia os pães da confeitaria mais cara da cidade - não que ele comprasse da confeitaria, na realidade o padeiro é o melhor amigo de meu tio, logo ele sempre, por debaixo dos panos, vende pães, tortas e doces por um preço mais camarada. Enfim, estava repondo as batatas quando ouvi alguém falando sobre maçãs. Bem, obviamente como só eu estava ali, era eu que haveria de atender, o interessante é que estava virada exatamente de frente com a placa de maçãs que por sinal estavam do lado das batatas, quem viera me perguntar deveria ser muito cego mesmo. Com um sorriso enviesado no rosto, me virei para o dono da voz enquanto segurava a caixa de batatas vazia com uma das mãos e apontava com o polegar da mão livre, a placa negra, escrita em giz, "Maçã: 1,59". - Bem aqui - Estava com vontade de rir, afinal, ele havia reparado na pequena falta de atenção que teve. Sem dizer mais nada só o fiquei encarando, ele me parecia familiar, não era da escola?! Aquele gorro azul... o cabelo vermelho. Tanto faz, só sei que as duas coisas não constratavam muito bem. Com a mão que havia mostrado a placa, apontei onde estavam as sacolas, para que ele pudesse colocar as maçãs dentro. - Sacolas - Ainda com um ar de riso contido no rosto, apoiei o cotovelo na caixa de batatas e continuei o olhando um tanto divertida.
Bristol. 5:05 PM.
Aquele rosto debochado. Eu sabia que havia sido desatento, mas na verdade não era algo que pudesse ser temporário. Definitivamente o problema sempre esteve, de alguma maneira, comigo. Desde pequeno me impedindo de escrever os ditados da professora sem pular palavras ou letras até quando eu deixei de notar que uma das únicas garotas que foi apaixonada por mim pediu para sair comigo e eu disse não por distração. Eu provavelmente teria gostado dela. Teria gostado da menina do mercado, também; pude observar.
- Desculpe - Molhei os lábios e estreitei os olhos por um segundo. - Eu vi você outro dia. - Disse, ainda pensando em quanto seria legal se eu pudesse ter mostrado ao Benjamin que eu tinha uma namorada daquela vez. E ela até que gostava de mim. - Você e a menina loura - Meu tom de voz, alto como sempre pareceu incomodar as pessoas à nossa volta, principalmente a um velho senhor fez uma careta para mim. - Eu vi vocês duas se beijando. Ah. Pita Morgan, não é? - Não sorri. Apenas me virei nos meus calcanhares e saí sem pagar pelas maças, o suco e o bolinho.
- Desculpe - Molhei os lábios e estreitei os olhos por um segundo. - Eu vi você outro dia. - Disse, ainda pensando em quanto seria legal se eu pudesse ter mostrado ao Benjamin que eu tinha uma namorada daquela vez. E ela até que gostava de mim. - Você e a menina loura - Meu tom de voz, alto como sempre pareceu incomodar as pessoas à nossa volta, principalmente a um velho senhor fez uma careta para mim. - Eu vi vocês duas se beijando. Ah. Pita Morgan, não é? - Não sorri. Apenas me virei nos meus calcanhares e saí sem pagar pelas maças, o suco e o bolinho.
- Não se desculpe... Por um momento achei que o garoto não ia levar o riso por um lado negativo, pena que estava enganada. No segundo em que estava para terminar a frase, congelei os músculos do rosto e desfiz o sorriso na hora. Será que ele estava falando de Pita? É, de fato era sobre ela, o nome falado em alto e bom som por um momento me congelou. Quando reparei nas pessoas mais próximas de ouvido na conversa, fitei as costas do garoto e ainda segurando a caixa que havia carregado as batatas, fui atrás dele. Primeiro: fala aquele tipo de coisa no meu ambiente de trabalho, perto de qualquer um que pudesse ouvir, da as costas pra mim e ainda sai sem pagar?! Sabia que aquilo ia sair do meu pagamento se alguém fosse fofocar para Salazar. Sem pensar direito já fora do mercado, caminhei atrás do guri em passos ligeiros. - Ei, moleque - Se ele fazia o que queria, eu também! quando o alcancei, lhe puxei pelo ombro para trás e joguei a caixa, de madeira ruim, nos pés do garoto, torcendo para que os acertasse. - Pode voltar lá e pagar pelo que 'tá levando. Não é tu que trabalha todo dia nessa merda pra pagar por estressadinhos mimados - Estava com os punhos fechados encarando o garoto de forma séria. Quem ele pensava que era pra não ter o menor respeito?! Apesar do guri ser mais alto, esse não era um motivo para me intimidar.
Bristol. 5:07 PM.
Tudo o que havia dito e feito. Por que? Me virei, observando a menina não tão mais baixa que eu gritar comigo e de repente o que senti foi a dor nos pés. As lágrimas vieram aos olhos na hora, mas as conti cerrando os dentes. Observei a caixa pesada -agora rachada- em cima dos meus dedos e ao lado as maças e o lanche de Maggie amassados no chão, depois de terem escorregado de minhas mãos.
- Eu... - Suspirei. Meus lábios se abriram e se fecharam várias vezes, olhando para aqueles olhos. Não tinha o direito de descontar sua vida e falta de jeito tudo nas pessoas e principalmente quem viesse à frente. Tirei uma nota de cinquenta libras do bolso junto a uma caixa de cigarros quase cheia. Tudo o que eu tinha pra passar o mês e ignorei o cartão de crédito em meu bolso. - Acho que da para pagar a caixa e... tudo. Não dá pra apagar o que eu disse então se quiser que eu conserte, vem comigo pro parque agora - Não tinha o menor valor, aquele dinheiro. Nehuma atitude valeria agora, mas eu podia tentar, não podia?
- Eu... - Suspirei. Meus lábios se abriram e se fecharam várias vezes, olhando para aqueles olhos. Não tinha o direito de descontar sua vida e falta de jeito tudo nas pessoas e principalmente quem viesse à frente. Tirei uma nota de cinquenta libras do bolso junto a uma caixa de cigarros quase cheia. Tudo o que eu tinha pra passar o mês e ignorei o cartão de crédito em meu bolso. - Acho que da para pagar a caixa e... tudo. Não dá pra apagar o que eu disse então se quiser que eu conserte, vem comigo pro parque agora - Não tinha o menor valor, aquele dinheiro. Nehuma atitude valeria agora, mas eu podia tentar, não podia?
Será que estava parecendo tão brava quanto estava por dentro? Pela reação do garoto, talvez estivesse.Sem saber direito o que fazer e suavisando um pouco a expressão do rosto, franzi o cenho um tanto confusa e peguei os cinquenta reais. Pelo visto o pé do garoto devia estar ardendo, afinal, da onde veioa força para fazê-la quebrar nos pés do guri?! Enfim, não sabia, então já que ele estava com toda aquela boa vontade, mesmo um tanto ressaviada assenti com a cabeça e guardei a nota no bolso da calça. Olhando a carteira de cigarros na minha mão, a abri e coloquei um na boca antes de devolvê-la ao guri. Definitivamente sentia que não podia confiar naquele rapaz, mas ele sabia mais do que deveria e precisava saber até onde ele iria com aquela informação; eu não tinha problemas em dizer que gostava mesmo é de gurias, o problema era com a Morgan, família dela não topava com minha cara só pelo fato de saberem, digamos, da fama que trouxe comigo, meu tio fez questão de dizer para os que moravam na vizinhança o motivo para o irmão ter me mandado pra cá, dizia que na realidade o que precisava era de um internato para correção de boas maneiras. Onde estamos? Era medieval?! Acho que não. Tirei um isqueiro do bolso e comecei a tomar a frente em caminho do parque e além disso hoje não era meu dia de trabalho e ainda já estava além do que eu deveria trabalhar, ao menos teria uma desculpa para quando chegasse em casa. Caminhando sem pressa e olhando para frente enquanto acendia meu cigarro, falei com o garoto pelo canto da boca. - O que tem no parque a essa hora?!
Nunca tivera nada a perder ali. A não ser suas cinquenta libras e um cigarro. Não era perda, talvez um investimento. Talvez uma droga de ilusão. Porque deveria acreditar que a menina dos cabelos curtos à minha frente sairia comigo? Aliás, os passos que ela dera em direção ao parque não eram por mim, ou por ela. Eram por Pita. Eu sabia da vida das pessoas sem ao menos precisar prestar atenção. Tudo o que haviam de esconder, estava comigo. E nunca, por motivo algum, eu contei.
- Nada - Dei de ombros. Talvez não fosse a fodida melhor ideia ter trazido ela para o parque. O que eu diria? Ninguém precisava me ver com outros olhos para saber quem eu era. Minha mãe sempre me dissera. Fracassado.
Maggie. Papai. Ele deixou seu guarda-roupa novamente vazio por uma briga que teve com minha mãe ontem à noite. Por algum motivo, quis contar à Erika. Mas por outros, quando chegamos ao parque, apenas sentei embaixo de uma árvore de espessos galhos e coloquei um cigarro na boca, gestilando para que ela o acendesse.
- Nada - Dei de ombros. Talvez não fosse a fodida melhor ideia ter trazido ela para o parque. O que eu diria? Ninguém precisava me ver com outros olhos para saber quem eu era. Minha mãe sempre me dissera. Fracassado.
Maggie. Papai. Ele deixou seu guarda-roupa novamente vazio por uma briga que teve com minha mãe ontem à noite. Por algum motivo, quis contar à Erika. Mas por outros, quando chegamos ao parque, apenas sentei embaixo de uma árvore de espessos galhos e coloquei um cigarro na boca, gestilando para que ela o acendesse.
Depois de caminhar um tanto e terminar meu cigarro, finalmente chegamos no parque. Aquele silencio só me deixava mais inquieta, o engraçado é que conseguia controlar bem esse meu lado, nas palavras e ações, tirando minhas mãos e pernas, que se eu estivesse parada, estariam no meu cabelo e se mexendo. Enfiei as mãos nos bolsos da calça, quando entramos no portão que dava para o parque e finalmente olhei o garoto de lado. O que ele tinha na cabeça? Perguntas? Será que ele iria falar algo sobre Pita? Será que ele tivera algo com ela? Isso era possível? Não dava pra saber. Quando o garoto finalmente parou e gesticulou para que acendesse o cigarro dele, me sentei ao seu lado e com os joelhos um tanto flexionados, cruzando os pés de lado no chão, na frente de meu corpo, tirei o isqueiro do bolso novamente e acendi o que o guri queria aceso. No rosto a expressão agora era mais serena, mas quando abracei meus joelhos e comecei a brincar de acender e apagar a pequena chama de fogo do isqueiro, deixei transparecer um pouco de impaciência pelo silêncio. Então, já que ele não falava, por que não eu começar a falar?! Pigarreei e olhei de lado para o garoto antes de finalmente me dirigir à ele. - Eu quero mais um cigarro e você?! O que quer aqui? Comigo? - Falei de forma tranquila e as vezes até pausada. Queria respostas, não desespero e/ou respostas vagas.
Direto ao ponto. Não enrolaria mais, mas estava pensnado o quanto valia a pena. Benjamin conhecia Pita, por conta disso lembrara o nome da loirinha dos cabelos enrolados e bonitos. Mas e o de sua namorada? Eu podia chamá-la assim? De namoradas? Pita e a menina do mercado? Suspirei e traguei fundo de meu cigarro antes de começar a falar. Liberei uma lufada de fumaça e ainda com o cigarro no canto da boca, resolvi esclarecer as coisas à uma impaciente menina-dos-cabelos-curtos.
- Não vou contar. É o que você quer saber, não é? Veio aqui para saber isto, certo? Não por minha causa. Agora vcê já pode ir. - Tirei um cigarro da carteira no bolso e lhe entreguei. - Seu cigarro - Não olhei para ela durante minhas palavras, mas virei o rosto para o lado oposto. Eu estava prestes a chorar? Com uma estranha? Como eu poderia começar a me entender de uma maneira mais clara, era impossível saber. Meus sentimentos eram instáveis demais, talvez seja por isso que não pudera estar jamais apaixonado por alguém como a menina do mercado e a lourinha estavam. Certo? Suspirei e olhei para a cima como se a resposta fosse cair da árvore como uma fruta, exatamente como a lei da gravidade.
- Não vou contar. É o que você quer saber, não é? Veio aqui para saber isto, certo? Não por minha causa. Agora vcê já pode ir. - Tirei um cigarro da carteira no bolso e lhe entreguei. - Seu cigarro - Não olhei para ela durante minhas palavras, mas virei o rosto para o lado oposto. Eu estava prestes a chorar? Com uma estranha? Como eu poderia começar a me entender de uma maneira mais clara, era impossível saber. Meus sentimentos eram instáveis demais, talvez seja por isso que não pudera estar jamais apaixonado por alguém como a menina do mercado e a lourinha estavam. Certo? Suspirei e olhei para a cima como se a resposta fosse cair da árvore como uma fruta, exatamente como a lei da gravidade.
Não, não era só aquilo, ele poderia muito bem ter dito lá trás "Olhe, não vou contar nada, não se preocupe". O que ele escondia? Será que valia a pena querer saber o que tinha aquele guri?! Não sei, mas logo depois de ter outro cigarro nas mãos, coloquei-o na boca, acendi a ponta e o traguei com demora, sentindo a garganta arranhar. Depois de soltar a fumaça sem pressa alguma, guardei o isqueiro no bolso da calça outra vez e segurei o cigarro entre os dedos, voltando a abraçar meus joelhos, segurando meu punho. - Largue mão de ser mentiroso. Se fosse só isso tinha dito lá trás, não iria me fazer vir até aqui e perder alguns cigarros pra mim - Com um leve ar de riso no canto da boca, puxo o ar pelo cigarro mais uma vez e então estico as pernas, colocando um tornozelo por cima do outro, e apoio os antebraços do lado demeu corpo, praticamente deitando na grama verde, enquanto o sol já estava indo embora e um vento gelado começava a chegar. - O que custa falar? - Nunca havia gostado de meias palavras, isso me irritava,, mas sentia que o guri tinha algum motivo bom para querer conversar, ainda comigo, naquele lugar. Só não sabia se seria positivo ou não pra mim, apesar de que, uma garantia já tinha: de que ele não falaria nada sobre Pita.
Não estava desistindo naquela hora em que decidira que as palavras certas eram apenas três. Não vou contar. Era tudo o que a maioria das pessoas dizia para mim. De repente, tudo ficara mais intenso. Ela estava ali e não apenas por si ou por Pita. Queria algo mais e eu queroia confiar em uma estranha para lhe contar o que tinha de pesado no peito e então? Contaria o que sabia de Pita e Benjamin? Contaria aqueles segredos que eram quase juras de morte? Eu não poderia abrir a boca, provavelmente seria melhor morrer enforcado do que nas mãos de alguém como o pai de Pita ou como ser chicoteado pela própria língua.
- Porque deveria confiar em você? - Olhei para a garota que havia se sentado mais uma vez. Apaguei o cigarro com as pontas dos dedos, causou-me alguma dor, mas era melhor do que se sentir encuralado como estava sentindo-se agora. - Sei coisas sobre pessoas que são próximas a você e não podem sonhar com o que a verdade. Eu poderia arriscar minha vida nisso. - A não ser que fosse uma boa ideia, contar-lhe logo assim para ter um final mais rápido, mais digno e menos doloroso. Tinha meu pai, também. E hoje eu estava torcendo para que ele voltasse, como das outras vezes.
- Porque deveria confiar em você? - Olhei para a garota que havia se sentado mais uma vez. Apaguei o cigarro com as pontas dos dedos, causou-me alguma dor, mas era melhor do que se sentir encuralado como estava sentindo-se agora. - Sei coisas sobre pessoas que são próximas a você e não podem sonhar com o que a verdade. Eu poderia arriscar minha vida nisso. - A não ser que fosse uma boa ideia, contar-lhe logo assim para ter um final mais rápido, mais digno e menos doloroso. Tinha meu pai, também. E hoje eu estava torcendo para que ele voltasse, como das outras vezes.
O dia estava sendo uma merda, aquele guri havia conseguido me tirar do sério e ainda ficava com enrolações. Será que ele não notara que preferia ser uma pessoa mais decidida? Soltei um riso pelo nariz depois de tragar outra vez do cigarro, praticamente queimando metade dele, quando virei o rosto para fitá-lo nos olhos e de forma direta. - Guri, se tu não quisesse falar nada, já teria ido embora ou me mandado ir. Não pode confiar em mim, mas posso te dizer que não saio falando alto os segredos alheios por ai, com ou sem motivos - Com uma das sobrancelhas arqueadas, terminei a frase cutucando o garoto com as palavras porque ele havia começado com aquela discussão, falando coisas que não devia, não podia. Comecei a pensar sobre o que o garoto havia dito por segundo enquanto terminava com meu cigarro e deixava a bituca apagar contra a terra entre a grama. Depois de pigarrear e ter refletido por uns instantes, franzi o cenho e olhei de forma mais séria para aquele guri que era de minha classe. - Se tem algo a dizer que pode ser importante pra mim, gostaria que falasse -
Da irritação que tinha na voz dela e a calma na minha acabou-se. Quis cuspir aquelas palavras como um tapa na cara da menina insistente. Pensei em ir embora, mas não faria sentido algum e ela sabia disso.
- Eu sou fodido pra descobrir as coisas, elas simplesmente aparecem na minha frente, assim como descobri que você e Pita se encontravam escondido, - e eu estava gritando. Berrando coisas sem sentido que faziam minha cabeça doer desde que as descobrira. Eu tinha uma bomba nas mãos. - ...assim eu soube que ela ficou com Benjamin enquanto talvez vocês já se conheciam, assim como eu sei que eu sou apenas o melhor amigo pateta do Ben e ele fica com todo o crédito em tudo, incluindo todas as garotas do universo, elas vão embora em um encontro e pisam no meu pé! É assim que por acaso saí para encontrar Benjamin na casa de seu pai e descobri que a mesma casa é a casa da Pita. Os Morgan tem muito mais a esconder do que uma filhinha bonitinha beijando outra garota na droga de sua escola de ensino médio em Bristol. Pita e Benjamin são irmãos. Eu escutei ele dizendo tudo ao telefone. Os Morgan não podiam ter filhos, mas gêmeos fora do casamento não estavam nos planos da família, então a "adotada" Pita não é filha da mãe dela e sim da mãe de Benjamin. Os dois foram criados separados. E eu não sei como vocês podem ser tão burros ao ponto de olhar para os dois e não ver a maldita semelhança naquelas caras branquelas e louras! Ser ameaçado pelo pai da menina por ter ouvido demais! Acha que gosto de saber demais? Eu não os conheço. Pita não sabe quem eu sou e eu daria todo o dinheiro que eu tenho e a casa onde moro se você soubesse dizer o meu nome. Se alguém soubesse. Meu pai foi embora hoje de manhã depois de ter quase quebrado uma garrafa de vinho em mim quando encontrou minha desamaiada no banheiro mais uma vez por overdose e minha irmã de um ano e meio chorando no ladrilho da droga da cozinha. Mais alguma coisa que queira saber? - Apenas respirei quando terminei de despejar toda a verdade em cima da menina cujo o nome agora eu me lembrava. Erika. As lágrimas de raiva que eu continha fazia semanas com toda a pressão de acabar sendo descoberto por alguém, inclusive ameaçado para manter a boca fechada pelo pai de Pita, desabaram de uma vez só.
- Eu sou fodido pra descobrir as coisas, elas simplesmente aparecem na minha frente, assim como descobri que você e Pita se encontravam escondido, - e eu estava gritando. Berrando coisas sem sentido que faziam minha cabeça doer desde que as descobrira. Eu tinha uma bomba nas mãos. - ...assim eu soube que ela ficou com Benjamin enquanto talvez vocês já se conheciam, assim como eu sei que eu sou apenas o melhor amigo pateta do Ben e ele fica com todo o crédito em tudo, incluindo todas as garotas do universo, elas vão embora em um encontro e pisam no meu pé! É assim que por acaso saí para encontrar Benjamin na casa de seu pai e descobri que a mesma casa é a casa da Pita. Os Morgan tem muito mais a esconder do que uma filhinha bonitinha beijando outra garota na droga de sua escola de ensino médio em Bristol. Pita e Benjamin são irmãos. Eu escutei ele dizendo tudo ao telefone. Os Morgan não podiam ter filhos, mas gêmeos fora do casamento não estavam nos planos da família, então a "adotada" Pita não é filha da mãe dela e sim da mãe de Benjamin. Os dois foram criados separados. E eu não sei como vocês podem ser tão burros ao ponto de olhar para os dois e não ver a maldita semelhança naquelas caras branquelas e louras! Ser ameaçado pelo pai da menina por ter ouvido demais! Acha que gosto de saber demais? Eu não os conheço. Pita não sabe quem eu sou e eu daria todo o dinheiro que eu tenho e a casa onde moro se você soubesse dizer o meu nome. Se alguém soubesse. Meu pai foi embora hoje de manhã depois de ter quase quebrado uma garrafa de vinho em mim quando encontrou minha desamaiada no banheiro mais uma vez por overdose e minha irmã de um ano e meio chorando no ladrilho da droga da cozinha. Mais alguma coisa que queira saber? - Apenas respirei quando terminei de despejar toda a verdade em cima da menina cujo o nome agora eu me lembrava. Erika. As lágrimas de raiva que eu continha fazia semanas com toda a pressão de acabar sendo descoberto por alguém, inclusive ameaçado para manter a boca fechada pelo pai de Pita, desabaram de uma vez só.
Boa parte de toda aquela história eu já sabia, a única coisa que Pita não havia me contado era do fato dela ter ficado com Benjamin. Ouvi a história toda até o fim e então, afastando os olhos do garoto, passei a olhar o horizonte um tanto quanto pensativa. Odiava aquele tipo de situação por um único motivo; segredos acabavam comigo, não num sentido em me deixar mal por dias ou coisas do gênero, simplesmente me faziam ficar sem nada; quebravam a magia das coisas. Meu problema não era com as mentiras, mas a falta de responsabilidade delas. Não podia contar quanto tempo fiquei ali, contemplando o nado, no fim das contas, só virei o rosto para o guri quando meus pensamentos pararam nele e num ponto da conversa em que ele se sentia injustiçado por ninguém se quer saber o nome dele. Extendi uma das mãos para o guri e arqueei uma das sobrancelhas, nem sorridente, nem séria, só agora, tranquila por saber o que acontecia, em todos os sentidos. É bem mais fácil e melhor se pensar quando tem as informações, do que refletir sem elas. - Prazer, Erika Fiquei ali com a mão esticada, esperando que o guri fizesse o mesmo.
Não soube o que responder quando a menina estendeu a mão para mim. Não soube como reagir, se estendesse a mão de volta.
- Eu sei quem você é - Disse, segundos mais tarde abrindo um quase sorriso sem dentes para a menina, estendendo a mão para a que me esperava. - Caleb Nagib - Obrigado por se importar, acrescentei em pensamento. Todas aquelas preocupações que tinha antes estavam desaparecendo. Senti-me verdadeiramente como se tivesse uma amiga. Benjamin talvez não fosse. Pita. Benjamin Morgan. Qual era a diferença?
- Eu sei quem você é - Disse, segundos mais tarde abrindo um quase sorriso sem dentes para a menina, estendendo a mão para a que me esperava. - Caleb Nagib - Obrigado por se importar, acrescentei em pensamento. Todas aquelas preocupações que tinha antes estavam desaparecendo. Senti-me verdadeiramente como se tivesse uma amiga. Benjamin talvez não fosse. Pita. Benjamin Morgan. Qual era a diferença?
Não, ele não sabia. Esboçando um sorriso enviesado no rosto, apertei a mão do guri com firmeza e arqueei uma das sobrancelhas. - Não, não sabe - Depois de soltar a mão do guri, me sentei de forma direita novamente e voltei a abraçar meus joelhos. - Mas só para você saber, vim parar aqui porque estava beijando menininhas na Itália, sim, isso pode ser um grande problema - Quando alguma situação gera conflito, conflito esse que não há como ser resolvido na base da racionalidade, sempre pode se tornar uma pequena bomba relógio.
- Beijando menininhas? - Eu abafei o riso e limpei as lágrimas quase secas no meu rosto. - Parece bom - Engoli seco e tirei o sorriso dos lábios. - O que aconteceu com você? O que você tem... pra esconder? - Disse, quase perguntando a mim mesmo, dentro de minha cabeça. Segredos não existiam para ser guardados, nunca existiram. Apenas para quebrar a confiança, transformar-se em pesadelos durante a noite e definitivamente um alto fardo para carregar nas costas sozinho. Exatamente por isso, deixam de ser segredos.
- Você ama Pita? - Eu olhei dentro daqueles olhos que tanto desafiavam minhas palavras. Talvez fosse dor. Talvez não fosse nada.
- Você ama Pita? - Eu olhei dentro daqueles olhos que tanto desafiavam minhas palavras. Talvez fosse dor. Talvez não fosse nada.
- Sim, beijando menininhas Soltei então um riso pelo nariz. Parecia tão bobo quando falado dessa maneira. Não tem como compreender de forma racional o porque tanto problema com isso, seria o mesmo que se aqueles que não gostam de ver duas pessoas se beijando as quisesse fora da face da terra. Para mim, no fim, tudo isso era pura falta de afirmação consigo mesmo, falta de casamento com seu próprio eu interior, afinal, diferenças existem e pessoas não são iguais, mas quando se está infeliz, a felicidade do outro machuca. - Não tenho nada pra esconder, sinceridade é bom sabia? Porque quando tu é sincero, se tu sofre por ser, ao menos não fica com peso na consciência e ainda pode dizer, "eu avisei" - Com um sorriso enviesado no rosto, olhei o garoto meio de lado com uma das sobrancelhas arqueadas. - Depende do sentido de amar, mas pergunta: você disse que parece bom... Você já beijou alguma guria na vida, não beijou? - Franzindo o cenho um tanto confusa e curiosa, fiquei a encarar o guri dono daquele gorro azul. Não era possível que ele não ficasse com moças, ou nunca tivesse tentado ficar com uma, se no caso fosse, bem, gay.
Aquilo fez meu coração arder. E somente eu sabia o por quê. Não contaria a ninguém. Era pessoal. Demais. Pontos novamente. Muitos pontos, poucas palavras, frases curtas e vírgulas. Suspirei, sorri acompanhando Erika.
- Tem razão. Não dá para conviver com culpa alguma - Mas convivo, complementei com minha voz mais séria dentro de minha mente. - Não acho que isso seja um problema. Você e Pita. - Engoli seco e suspirei. - Porque existem pessoas no mundo tão incomodados com isso? Como o pai de Pita? Se ele descobrir, vocês duas estão mortas, sabe. - Digo, olhando para cima onde o céu estava escuro agora. Não havia luzes por muito perto, apenas a do cigarro e dos postes um pouco ao longe. - Não tenho certeza se já beijei alguém - Pisco duas ou três vezes. Passo a língua nos lábios. - Depende de quem faz a pergunta. Pra você, não, não beijei. A garota que me forçou a beijá-la quando tinhamos 7 anos não conta como algo oficial - Não fazia diferença. Ela gostava de garotas. Talvez me entendesse, afinal. - Amá-la como quem está apaixonada, menina. - Lembro-me de que não sei como é essa sensação. Eu estava vazio. Eu era vazio. Como o escuro ou a morte. Voltei a observá-la, surrupiando mais dois cigarro dos bolsos, mas desta vez não da carteira. - Eu mesmo embrulhei - Digo, olhando para a seda arrumada perfeitamente. Entrego-lhe o cigarro. Let's get fucked.
Depois de rir, aceitei o que ele me oferecia. Caramba, uma guria teve que forçar ele a beijá-la aos sete? E será que ele tinha pratica na arte de fazer um beck?! Bem, não iria reparar nisso agora, não era uma má idéia fumar, relaxar um pouco as tensões do dia. Coloquei então o cigarro feito de maconha na boca e tirei meu isqueiro outra vez do bolso da calça. Chama que queima o papel e esquenta a racionalidade de alguns que preferem dizer que não tem alma. Um trago longo e bem dado. - Simplesmente porque eles não conseguem se afirmar como pessoas. Quanto quarentão aí xingando os viadinhos jovenzinhos, mas no fim do mês, acaba dando o cu pra outro macho Balanço a cabeça em negação e respiro fundo, a vida era aquela, mas voltando a fita, então quer dizer que ele não tinha beijado ninguém na vida?! - Não amo ela, mas gosto dela - Dei de ombros como se estivesse indiferente e mais uma vez puxei o cigarro que estava agora entre os dedos. - Me fala, por que nuuuunca beijou ninguém? - Mais um ponto para a curiosidade.
Deixei que a fumaça adentrasse meus pulmões e fizesse a diferença depois da tensão que eu tinha nos ombros.
- Certo. Gosta de Pita e então vai jogar uma aixa de madeira podre nos dedos do Ben também? - Ergui as sobrancelhas a encarando, depois ri, soltando a fumaça pelo nariz. - É a falta de ter o que fazer, creio - Apoiei meu braço nos meus joelhos dobrados, já estavam dormentes há vários minutos. Depois da voz de Erika, não a olhei nos olhos. A pergunta era simples demais, mas me fazia pareer bobo. Tentei me lembrar de alguma garota que tenha gostado de mim de verdade, sem interesses. Não consegui lembrar. - Porque a única que tentou queria pagar um favor. Não vai funcionar assim comigo, sabe? - Dei mais um trago do cigarro. - Mas acho que nunca vou ser capaz de sentir alguma coisa com esse oração velho e peludo aqui - Dei dois tapas no peito enquanto segurava novamente o cigarro entre os dedos. Deixei de olhar para a menina e sorri brevemente. - E você também não. - Arrisquei meu palpite. Era o que parecia.
- Certo. Gosta de Pita e então vai jogar uma aixa de madeira podre nos dedos do Ben também? - Ergui as sobrancelhas a encarando, depois ri, soltando a fumaça pelo nariz. - É a falta de ter o que fazer, creio - Apoiei meu braço nos meus joelhos dobrados, já estavam dormentes há vários minutos. Depois da voz de Erika, não a olhei nos olhos. A pergunta era simples demais, mas me fazia pareer bobo. Tentei me lembrar de alguma garota que tenha gostado de mim de verdade, sem interesses. Não consegui lembrar. - Porque a única que tentou queria pagar um favor. Não vai funcionar assim comigo, sabe? - Dei mais um trago do cigarro. - Mas acho que nunca vou ser capaz de sentir alguma coisa com esse oração velho e peludo aqui - Dei dois tapas no peito enquanto segurava novamente o cigarro entre os dedos. Deixei de olhar para a menina e sorri brevemente. - E você também não. - Arrisquei meu palpite. Era o que parecia.
Coração velho e peludo. Tive de rir. Os olhos se fecharam e as costas foram parar na grama. Enquanto uma de minhas mãos agora jazia em meu abdômen, a outra segurava o cigarro enquanto eu o tragava. Só queria que o coração logo começasse a bater depressa. Deixando a fumaça sair por minha boca conforme falava, fui respondendo o garoto numa voz um pouco arrastada, não por conta do beck entre meus dedos, mas por puro hábito. - Foda-se o Ben, meu problema é com ela. Você devia rever seus conceitos, guri, afinal, você 'tá dizendo que não tem nada no coração, se não tivesse, já tinha pego todas as garotas a sua volta, não ia ficar se guardando para um momento especial. - Mais uma vez o cigarro na boca. - Eu não sou sem sentimentos, só que prefiro não nutrir eles por pessoas, prefiro me apaixonar por outras coisas -
O que ela havia dito? Não tinha coração. Como poderia ter? Não conseguia imaginar o que teria dentro de mim além de carne, ossos e vísceras. Não sentimentos. Não amor, aliás. A não ser por Maggie. Ela era diferente, claro. Mas a única menina que eu poderia jurar sentir algo. Quando eu era menor andava pensando nisso... Enquanto os outros meninos e meninas se apaixonavam eu apenas sentia... Nada. Eu apenas os via andar de mão dadas e vê-los chorar por algo não dera certo. Idiotas. Eu sorria ao vê-los com aquelas caras bobas diante dos meus olhos enquanto sentia apenas meu coração bombear sangue para o corpo. Tão real. Sem ansiosidade. Nunca sentira-o bater mais rápido da forma como outras pessoas experimentaram tantas vezes. Me sentia gelado. Minhas mãos tocaram uma na outra, frias, levaram-me novamente ao parque. O que eu estava fazendo aqui? Com aquela garota? Contando os seus segredos e mesmo os segredos que não lhe -nem me- pertenciam?
- Acho que deveria pensar mais. Pita não é o que você pensa - Mais uma vez. Espalhando frieza onde podia ter existido amor. Disse assim que me levantei. Não podia suportar ver Benjamin tirando proveito da própria irmã daquela forma e usando para prejudicar Erika. Eu podia estar certo quando ao amor ser uma merda, mas ele não tinha o direito de usar a raiva que os sentimentos geram para causar dor de cabeça. Era melhor avisá-la. Coloquei o cigarro novamente na boca, ainda olhando para Erika. E traguei dele, soltando a fumaça logo em seguida, apenas indo embora e deixando-a -provavelmente- sem entender.
- Acho que deveria pensar mais. Pita não é o que você pensa - Mais uma vez. Espalhando frieza onde podia ter existido amor. Disse assim que me levantei. Não podia suportar ver Benjamin tirando proveito da própria irmã daquela forma e usando para prejudicar Erika. Eu podia estar certo quando ao amor ser uma merda, mas ele não tinha o direito de usar a raiva que os sentimentos geram para causar dor de cabeça. Era melhor avisá-la. Coloquei o cigarro novamente na boca, ainda olhando para Erika. E traguei dele, soltando a fumaça logo em seguida, apenas indo embora e deixando-a -provavelmente- sem entender.
Céu nublado exatamente como Londres. "Pita não é o que você pensa" Aquelas palavras, aquela frase, ficaram vagando até os confins de minha mente como um eco, até que finalmente, elas morreram ao tocar no fundo de minha consciência. O que ele sabia?! Porque sim, ele sabia de algo que eu ainda não tinha consciência. Pra ele dizer isso alguma coisa Pita teria aprontado e para aquilo realmente me afetar de alguma forma pessoal, provavelmente só podia ser uma coisa. - O que você quer d... - Já ia lhe perguntar o que porra ele queria dizer, quando olhei para os lados e ele já não estava mais lá. Como um gato, apesar de desajeitada, enfiei o cigarro na boca para segurá-lo ali enquanto virava o corpo e logo já andava em quase uma corrida até as costas do garoto de toca azul. Depois de tragar mais uma vez o cigarro de maconha, sentindo o coração acelerado numa combinação do que a erva fazia e do que a curiosidade e a necessidade de uma resposta causavam, franzi o cenho antes de segurar o guri pela manga da jaqueta com firmeza, apesar de sentir as mãos tremerem e geladas. - O que você sabe? Vai sair mesmo sem me contar? Me deixar sem verdade? - Como desejava que ele não quisesse guardar para sí aquela informação, tomara.
Eu provavelmente imaginaria que sumir no meio da noite não funcionaria. Ela voltaria apra me buscar, ali, na sombra da escuridão. As mãos geladas puxaram minha jaqueta para impedir que eu andasse. Eu sorri quando tentei a curiosidade da menina a ponto de tirá-la do sério quando ouvi a sua voz. Provavelmente a deixaria sem dormir por noites. Puxei a manga da minha blusa com algum olhar de desprezo, ou quase isso. Não tinha motivo para desprezar Erika. Apenas motivos para torná-la minha aliada. Eu não era como os outros e nem ela era. Balancei a cabeça antes de dizer as palavras queela temia ouvir.
- Acho que você precisa descobrir sozinha - Um meio sorriso em meus lábios, quase malicioso, de olhos semi-serrados e prazer em baixo espalhando-se de baixo da pele. - Acho que nos vemos em breve - Tirei a toca azul do cabelo e fiz uma referência, dando passos em direção ao portão.
- Acho que você precisa descobrir sozinha - Um meio sorriso em meus lábios, quase malicioso, de olhos semi-serrados e prazer em baixo espalhando-se de baixo da pele. - Acho que nos vemos em breve - Tirei a toca azul do cabelo e fiz uma referência, dando passos em direção ao portão.
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